terça-feira, 18 de março de 2008

Após cinco anos, Livros do Mal fecham para balanço

Depois do sucesso da e-zine CardosOnline, que começou como uma pequena brincadeira numa faculdade de jornalismo em Porto Alegre em 1998, e terminou com mais de 278 edições, cinco mil assinantes e oito colaboradores fixos, os remanescentes do grupo Daniel Pellizari, Daniel Galera e Guillerme Pilla decidiram criar sua própria editora, Livros do Mal. A idéia inicial era publicar seus próprios livros e ao mesmo tempo divulgar artistas que queriam se lançar ao mercado, mas não tinham como. Em pouco tempo, o grupo chamou bastante atenção da crítica e do público. Mas como sempre depois de quase cinco anos, a editora fechou as portas.
Apesar do fim da editora muitas de suas obras ainda podem ser encontradas reeditadas por editoras maiores, uma dessas editoras é a Companhia de Letras. Na época que se lançou ao mercado Pellizari e companhia revelou ao jornal gaúcho Zero Hora que se inspiraram na coleção Cantada Literária, lançada no começo da década de oitenta pela Editora Brasiliense. A coleção Cantadas Literárias foi uma das mais importantes disseminadoras da contracultura brasileira da década de 70 e 80 e da literatura underground norte-americana e atingiu sucessos comerciais surpreendentes. Alguns artistas, ainda desconhecidos na época, lançaram suas primeiras obras pela editora como Marcelo Rubens Paiva ( Feliz Ano Novo), Caio Fernando Abreu ( Morangos Mofados) e Reinaldo Moraes ( Tanto Faz). Comparando essas duas épocas vemos artistas jovens, na media dos 20, no máximo 30 anos, com temáticas contestadoras, cada um incomodada com a inércia de suas épocas, seja emprego, vida em família, poder político, falta de decisão, a vaga idéia de que nos podemos mudar o mundo. A auto ironia e o sarcasmo, também são recorrentes de todas as obras. Mas acima de tudo há a vontade de se expressar, de ter uma voz entre todos esses autores. Apesar das mudanças de época, e dos estilos gráficos e artísticos se diferenciarem, poetas de ruas da década de 80 e nerds de fanzine e blogs dos dias atuais parecem tem bastante coisa em comum.

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